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Grafo do Desejo, ou, circuíto emocional

Grafo do Desejo, ou, circuíto emocional Possivelmente você já ouviu falar do Lacan, um freudiano assumido. Lacan deu uma guinada na teoria de Freud ao buscar uma base mais “matemática” para a estrutura psíquica humana, ou melhor, assim como a estrutura matemática é a mesma para todos os povos do Planeta (aliás, tem quem diga que a matemática independe dos humanos), Lacan também buscou erigir “fórmulas” do psiquismo que pudessem explicar/entender, o circuíto psíquico de qualquer humano. De forma que Lacan desenvolveu os grafos - algo semelhante às fórmulas matemáticas - para que a partir deles, o psiquismo pudesse ser compreendido em qualquer parte do Planeta, por qualquer povo/cultura. Claro que aqui só estou dando uma notícia de uma vasta, complexa e profunda obra teórica - e prática - de Jacques Lacan. Obra que está disponível em 26 volumes/Seminários, que reúne as aulas ministradas por ele em Paris entre 1953 e 1980. E nesse momento, meu desejo é que a minha crônica provocativa, o ...

O social e o espiritual são consequência

O social e o espiritual são consequência, não causa. O social e o espiritual são consequência de: instintos + razão + emocional em equilíbrio, ou seja, de um psiquismo subjetivo organizado/estruturado. Caso contrário, o social e o espiritual são meros objetos de uso egoísta, o que, por sua vez, resultou nas religiões e nas ideologia políticas (ou, nos tempos de Marx, a luta de classes), o que inclui - no sentido de absorver e conduzir - todas as “lutas” de grupos menores (feminismo, racismos, pobres, homossexualismo, protetores de animais …), o que geralmente, apenas fragmenta ainda mais as sociedades. Será que uma pessoa, razoavelmente organizada em sua subjetividade psíquica, não respeita igualmente todos aqueles? (A pergunta sobre, qual o sentido da religião para alguém razoavelmente estruturado psiquicamente, prefiro evitar. Mas, preciso perguntar: você sabe a diferença entre espiritualidade e as religiões?) Lamentavelmente, até a Psicologia está cada vez mais sendo conduzida e abs...

Exercício físico x exercício psíquico

Exercício físico x exercício psíquico Hoje, treinando na academia (descobri a pouco tempo que não se fala mais “malhando”), me ocorreu uma analogia possível entre o treino na academia e a psicoterapia. Afinal, ambas são difíceis e requerem muito empenho pessoal (aqui, eu lembro do “estudar”, que também é difícil…). Mas, permanecendo apenas com a comparação entre o exercício físico x exercício psíquico, fiquei pasmo com a similaridade: ambos requerem uma decisão pessoal e realista; necessitam de muito empenho, disciplina e dedicação; ambas são pouco prazerosas em si. Aliás, no começo, geralmente as duas são dolorosas; ambas, precisam de acompanhamento profissional e de local adequado; as duas, dão resultado, apenas, a médio-longo prazo. Claro que pode haver exceções em relação ao resultado, mas, é preferível manter o realismo; ambas precisam ser executadas pelo próprio sujeito, ou seja, assim como o instrutor da academia não pode fazer os exercícios físicos por você, o Psicólogo també...

DINHEIRO X VALOR PESSOAL

DINHEIRO X VALOR PESSOAL Já escrevi uma crônica fazendo um percurso entre a libido sexual freudiana e a libido monetária, contemporânea, tentando provocar uma reflexão sobre essa, possível, mudança libidinal humana, ou seja, não é mais a força/energia/pulsão/desejo sexual que movimenta a pessoa - com certeza não é mais a única que se destaca - mas, transparece hodiernamente, que nos tempos modernos, esse desejo humano, pode ter se deslocado (ou, quem sabe, encontrado uma segunda fonte) para o dinheiro. Enfim, a crônica está no meu livro/ebook 40wkRle1wogU.pdf Entretanto, nesse momento, minha intenção é outra, qual seja, de fazer um novo/outro percurso entre a questão do “valor”: valorização pessoal, valorização externa, autovalorização, valorização dos outros, dinheiro, valor de compra-venda, interesse de compra, DESVALORIZAÇÃO, etc; o que gera esses juízos de valor, como se inscreve no psiquismo, de que maneiras são agravados e/ou podem ser superados. Confesso que aqui,...

Energia psíquica (humana) x energia instintiva x energia mecânica

Energia psíquica (humana) x energia instintiva x energia mecânica Fazendo uma caminhada, a pouco, numa estrada de saída da cidade, visualizei um sapo encostado no canteiro central da via. De longe, parecia estar vivo, pois estava inteirinho, tanto que cheguei perto dele para ver melhor do porque ele estava tão quieto ali. E eis que, nada de se mexer. Nada de pular. Toquei nele com o meu pé e nada, de novo. E eis que me pulou essa crônica, uma que também estava paralisada, pois já havia pensado nisso, lá por 1996, quando visualizei no meio de uma estrada do interior, um lagarto, nas mesmas condições do sapo, recém descritas. O corpo, ou melhor, os corpos estavam ali, inteiros, completos, normais, mas, imóveis, ou em outros termos, sem energia, sem vida. Que energia é essa que simplesmente acaba de uma hora para outra? Deixando corpos perfeitos/inteiros imóveis no meio da estrada? Que energia é essa? Essa energia acaba ou “escapa” do corpo? E a energia que anima os animais e as pl...

crônica - AOS 48 MINUTOS DO PRIMEIRO TEMPO

AOS 48 MINUTOS DO PRIMEIRO TEMPO Aos 48 minutos do primeiro tempo, descobri o jogo existencial que me envolve. O jogo pelo qual vesti a camiseta. O jogo da vida emocional. Infelizmente, o primeiro tempo “do meu jogo” está terminando e eu estou perdendo por 2 x 0, pois estou solteiro e sem filhos, considerando as partidas já jogadas pelos meus antepassados. Na verdade, esse jogo já foi jogado pelos meus antepassados e: como eu poderia aprender a jogar outro tipo de jogo? Se eu nasci e cresci no “campo”, no meio daquelas regras específicas, vivenciando com jogadores daquela modalidade, o assunto sempre foi sobre aquela modalidade de jogo… como então, não ser moldado pela mesma “forma”? Aliás, parece que a nossa “forma” familiar é de jogadores fortes e lentos, normalmente, colocados na posição de zagueiro, requerendo muita defesa e pouco ataque. Raramente o zagueiro faz um gol, no máximo ele pode começar uma jogada que leva ao gol, mas, o zagueiro é fundamental para o time não sofrer um ...

crônica - Emoções, sentir, sentimentos, afetos…

Emoções, sentir, sentimentos, afetos… E se o segredo da existência humana for, “apenas”, desenvolver a capacidade de sentir/ter emoções? Por muito tempo, sacramentou-se que era o pensar - penso, logo existo - era o segredo. Entretanto, “pensando assim”, estamos no momento com o “c… na mão” pelo medo das bombas atômicas (grandes conquistas do pensar humano) serem usadas nas guerras (grande fracasso do humano, ainda infante no sentir, mas com poder de adulto), criadas pelos homens racionais. Aliás, será que as religiões - que são humanas - também não foram criadas racionalmente? Não há dúvidas de que a humanidade progrediu técnicamente, graças ao uso da razão. Mas isso pode ser perigoso. E as guerras são um exemplo disso. Já peço desculpas, de imediato, aos macacos racionais que vão se ofender - e aos macacos também - mas, a guerra é fruto de macacos, com armas, em busca de mais poder. Aliás, na verdade, subjaz a isso tudo, um instinto de autopreservação, normal entre todos os animais. E...

crônica: Ego humilde x Ego orgulhoso

crônica: Ego humilde x Ego orgulhoso Primeiramente penso ser conveniente resgatar a definição de Ego. Então, Freud desenvolveu os conceitos de ego, id, superego para explicar o funcionamento da mente humana. Assim, o ego é a parte consciente da mente, responsável por interpretar a realidade e processar as percepções, ou melhor, as representações da relação do indivíduo com o meio. Também é o Ego quem detém os critérios para julgar as pessoas ao nosso redor, conforme nossos interesses e experiências pessoais. Ele é aquela voz interna que indica o que é bom e o que é ruim. É responsável ainda, por preconceitos e aceitações. Eu costumo dizer que ao abrir os olhos, ao acordar, o Ego é ligado e passa a comandar a existência até os olhos serem fechados novamente. Aliás, o sonho não é comandado pelo Ego, segundo Freud, mas pelo id/inconsciente. Uma outra analogia que faço é comparar o Ego ao dia, ou melhor, assim que o sol aparece e começa a iluminar a manhã e tarde de cada dia, praticament...

crônica - UMA PSICOLOGIA ANTROPOLÓGICA

  UMA PSICOLOGIA ANTROPOLÓGICA Não há dúvidas que Freud construiu uma consistente “Psicologia da mente”, ou melhor, da mente inconsciente e da mente consciente. Essa “mente consciente” me parece ter resultado, mais tarde, na Psicologia Cognitiva, que também foi e é, longamente desenvolvida, por vários autores.  Já  - em contrapartida a psicologia da mente - Pavlov, Watson e Skinner fundaram uma outra  Psicologia, propondo o estudo do comportamento em vez da mente. A Psicologia Comportamental, ou behaviorismo, é uma abordagem psicológica que foca na análise do comportamento observável e na interação entre o indivíduo e o ambiente. Ela parte do princípio de que os comportamentos são aprendidos através de processos como condicionamento clássico e operante, sendo influenciados por estímulos e suas consequências (reforços e punições). Aqui, ouso dizer que temos uma “Psicologia dos instintos”, pois em certa medida, ela pode ser comparada com um adestramento dos instintos, ...

crônica - EMPODERAMENTO DO EGO X EMPODERAMENTO PSÍQUICO/EMOCIONAL

EMPODERAMENTO DO EGO X EMPODERAMENTO PSÍQUICO/EMOCIONAL Certamente, você já ouviu falar do tal do empoderamento, conceito bastante utilizado ultimamente e para inúmeras ocasiões. Só espero que o Trump não esteja nessa “vibe”, de estar se empoderando. Aliás, aqui já transparece o primeiro equívoco, qual seja, achar que o empoderamento se dá de fora para dentro, ou seja, isso é simples e puramente empoderamento do EGO, ou em outros termos, é inflar o imaginário e fantasioso pessoal, tipo um balão de balonismo, apenas cheio de ar quente, e que é carregado pelo vento, na direção que a corrente de ar determinar. E se não me engano, o melhor passeio de balão é onde o vento/ar estiver em menos movimento, o que também já é um determinante externo para o balonismo. Comparando, poderia-se dizer que primeiro inflamos o nosso balão/EGO com itens externos a nós, como: dinheiro, bens materiais, títulos acadêmicos, fama, likes/curtidas,  sucesso, corpos atraentes, posições sociais de poder, empr...

crônica - 4 SIGNIFICANTES (não só dois)

Mãe + Pai e Esposa + Marido (ativo x passivo): 4 SIGNIFICANTES (não só dois) Que os “significantes” mãe e pai vão se inscrevendo no psiquismo desde criança, já foi/é longamente abordado nas teorias da Psicologia/Psicanálise. E concordo plenamente com isso. Entretanto, venho percebendo que há mais dois significantes que a criança também vai internalizando, desde o começo, quais sejam, os significantes de esposa e marido, ou ainda, em outros termos , poderia se falar, quem sabe, em ativo e passivo da relação conjugal.  Nesse sentido, já venho dizendo a algum tempo: os pais podem ser excelentes exemplos de mãe e pai, mas, não necessariamente, são também, bons exemplos de esposa e marido (ou, de ativo e passivo numa relação). E que marcas isso deixa/deixou em nossos psiquismos? Afinal, convém deixar enfatizado, que somos gerados a partir de 23 cromossomos da mãe + 23 cromossomos do pai, ou seja, nenhum cromossomo é meu/teu. Ninguém escapa dessa herança biológica. E será que a herança ...

crônica - metodologia de atendimento: 4 x 9

    Análise e/ou Psicoterapia: uma prestação de serviço Na Psicologia é muito comum ver que, começar uma análise já é difícil, mantê-la seguirá sendo desafiador, mas, encerrar uma análise, também   anda demonstrando-se complicado e geralmente, não só por parte do paciente/cliente, ou seja, o atendimento psicológico é bastante vago - e até mesmo obscuro - em relação ao término.  Curiosamente, mesmo não havendo uma promessa de cura, também não há uma estipulação de encerramento da análise e/ou da psicoterapia. Evidente que qualquer “queixa”, requer um processo de conhecimento, o que, por sua vez, além do acompanhamento de um profissional, requer um tempo para  ser elaborado subjetivamente. Mas, afinal, de quanto tempo estamos falando? E esse tempo, subjetivo, é o do cliente/paciente, ou é o tempo do psicoterapeuta? Em relação ao tempo subjetivo do psicoterapeuta/do analista, ainda não me atrevo a entrar, pois isso implicaria em questionar teorizações do ...

crônica - INCONSCIENTE = CONDUTOR DA VIDA SUBJETIVA

INCONSCIENTE = CONDUTOR DA VIDA SUBJETIVA Faz dias que ando cogitando a hipótese do Inconsciente como condutor da existência subjetiva, mas num sentido construtivo, bem diferente daquele Inconsciente freudiano e também, divergente, em boa medida, daquele junguiano, em ambos, um inconsciente exclusivamente mental, mesmo que Jung tivesse ampliado o entendimento para um inconsciente coletivo, mais ainda, coletivo-mental. Mas então, e se o inconsciente fosse o condutor da tua existência num sentido construtivo? Querendo que cada um cresça e amadureça como sujeito? Bem divergente do inconsciente problemático e emblemático de Freud, também, por sua vez, condutor da vida, mas, em direção ao caos, sempre cobrando algo. Porém, e se não for cobrança e caos, mas, um desafio na esperança que eu amadureça um pouco mais, aos poucos? Essa concepção, inclusive tiraria a excessiva “responsabilidade” que Freud colocou nas costas das crianças, ou melhor, na nossa fase infantil do desenvolvimento. Assim ...

artigo - Psicologia e “Neutralidade”

  Psicologia e “Neutralidade” Tercio Inacio Jung Resumo: A Psicologia não pode se ocupar com todos os problemas sociais/externos que afligem uma pessoa, mas, precisa se ocupar com todos os sintomas psíquicos/internos que afligem aquela pessoa. Palavras-chave: Psicologia. Inconsciente. Escuta parcial.Vulnerabilidade psíquica. Introdução A Psicologia, enquanto campo científico e prático, enfrenta uma crise epistemológica e metodológica, evidenciada pela predominância da “escuta parcial”, que privilegia o consciente, o imediato e o externo, negligenciando a estrutura psíquica maior e mais profunda. Fundada historicamente na Neurologia médica, conforme demonstram autores como Freud (1996/2001) e Jung (1964), a Psicologia contemporânea corre o risco de se reduzir a um conjunto de práticas superficiais de saúde corporal e sociológicas no sentido de se sentir compelida a dar respostas a uma justiça social, desconsiderando em grande medida, seu próprio objeto de estudos enquanto Ciência, q...

artigo - Psicologia Social: entre a vulnerabilidade social e a psíquica

Psicologia Social: entre a vulnerabilidade social e a psíquica Tercio Inacio Jung Resumo: Intencionamos construir no decorrer deste, uma análise dos impactos dos contextos de vulnerabilidade social na construção da subjetividade e o quanto é possível “descolar” a vulnerabilidade social/material da vulnerabilidade psíquica. Depreender como se dá a construção de um contexto de vulnerabilidade, poderá possibilitar entender as complexas facetas que este fenômeno implica na constituição dos sujeitos e sobretudo, se é determinante para uma vida inteira ou se a estrutura psíquica pode ser ressignificada. Palavras-chave: Estrutura Psíquica. Vulnerabilidade. Assistência Social. Sofrimento subjetivo. INTRODUÇÃO Partindo do Estágio de Psicologia realizado no CRAS - Centro de Referência de Assistência Social, foi possível verificar continuamente, um esforço hercúleo e nobre, de toda equipe do CRAS, em buscar atender da melhor forma possível, as demandas sociais das pessoas, ou melhor, dos usuários...