crônica - 4 SIGNIFICANTES (não só dois)
Mãe + Pai e Esposa + Marido (ativo x passivo): 4 SIGNIFICANTES (não só dois)
Que os “significantes” mãe e pai vão se inscrevendo no psiquismo desde criança, já foi/é longamente abordado nas teorias da Psicologia/Psicanálise. E concordo plenamente com isso. Entretanto, venho percebendo que há mais dois significantes que a criança também vai internalizando, desde o começo, quais sejam, os significantes de esposa e marido, ou ainda, em outros termos , poderia se falar, quem sabe, em ativo e passivo da relação conjugal.
Nesse sentido, já venho dizendo a algum tempo: os pais podem ser excelentes exemplos de mãe e pai, mas, não necessariamente, são também, bons exemplos de esposa e marido (ou, de ativo e passivo numa relação). E que marcas isso deixa/deixou em nossos psiquismos?
Afinal, convém deixar enfatizado, que somos gerados a partir de 23 cromossomos da mãe + 23 cromossomos do pai, ou seja, nenhum cromossomo é meu/teu. Ninguém escapa dessa herança biológica. E será que a herança é apenas biológica?
Mas, retomemos a hipótese dos 4 significantes. Na verdade, me refiro ao “significante-mestre” lacaniano. Em Lacan, o significante-mestre (S1) é um termo privilegiado que inicia e organiza uma cadeia significante, funcionando como um ponto de partida para a produção de sentido e para a inscrição do sujeito na ordem do discurso. Ele representa um elemento fundamental para a função de legibilidade dentro de um discurso, sendo o "núcleo" que ancora as relações sociais e permite a interpretação da ordem discursiva.
Ainda segundo Lacan, o significante mestre (S1) é o significante primordial/primeiro que, para um sujeito, ancora a noção de identidade, sendo muitas vezes associado, em sua função simbólica, à figura do pai e à mãe em um complexo processo de estruturação psíquica. Enquanto o significante pode ser substituído na cadeia, o significante mestre é o ponto de ancoragem, o traço que marca a singularidade do sujeito e permite que o desejo se organize em torno da figura paterna, com a mãe mediando essa entrada na ordem simbólica.
Isso posto, retomo a hipótese de que os pais também seriam “internalizados” pela criança, como significante-mestre de esposa e marido (ou, de ativo e passivo) e em torno desses 4 “S1” o psiquismo passaria a se organizar. Com ativo e passivo não me refiro ao sexual, mas ao relacional, ou melhor: entre uma esposa Doutora, professora universitária, poliglota, salário bem maior que o do marido, que é um modesto eletricista, quem você diria que representa o "ativo" desse casal? E será inevitável para filha perceber isso na relação do casal e ir internalizando esses "S1"?
Enfim, os pais não seriam apenas "representantes" de paternidade (filiação), mas também, de relacionamento com o outro. Enquanto pais eles representam apenas, a relação comigo. Enquanto esposa e marido (ativo x passivo) eles também "significam" o relacionamento com o outro/os outros.
Quem sabe a segunda clivagem psíquica (a primeira é a da rejeição/expulsão do útero), ou seja, inscrições para uma vida toda.
Hipóteses.
Tercio Inacio
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