Grafo do Desejo, ou, circuíto emocional
Grafo do Desejo, ou, circuíto emocional
Possivelmente você já ouviu falar do Lacan, um freudiano assumido. Lacan deu uma guinada na teoria de Freud ao buscar uma base mais “matemática” para a estrutura psíquica humana, ou melhor, assim como a estrutura matemática é a mesma para todos os povos do Planeta (aliás, tem quem diga que a matemática independe dos humanos), Lacan também buscou erigir “fórmulas” do psiquismo que pudessem explicar/entender, o circuíto psíquico de qualquer humano. De forma que Lacan desenvolveu os grafos - algo semelhante às fórmulas matemáticas - para que a partir deles, o psiquismo pudesse ser compreendido em qualquer parte do Planeta, por qualquer povo/cultura.
Claro que aqui só estou dando uma notícia de uma vasta, complexa e profunda obra teórica - e prática - de Jacques Lacan. Obra que está disponível em 26 volumes/Seminários, que reúne as aulas ministradas por ele em Paris entre 1953 e 1980. E nesse momento, meu desejo é que a minha crônica provocativa, o inspire a ler mais Lacan.
Falando em “Seminário” e em desejo, chegamos ao grafo do desejo, ou melhor, o Seminário no qual o Lacan apresenta a “fórmula matemática” do “circuito” do desejo humano, este que está em constante operação no psiquismo de qualquer pessoa.
O Grafo do Desejo proposto por Lacan, especialmente, no Seminário 5 e em "Subversão do Sujeito", é uma representação topológica que mapeia a constituição do sujeito, a linguagem e o circuito do desejo. Ele articula o simbólico, o imaginário e o real, mostrando como o desejo humano é moldado pelo desejo do Outro e pela falta. E para ser drasticamente simples: a falta de amor, ou melhor, a demanda por ser amado.
Assim, seguindo drasticamente simples, a demanda por ser amado seria a fórmula matemática que explicaria o funcionamento do circuito psíquico de toda e qualquer pessoa.
Para testar essa fórmula é bem simples, basta você silenciar por um momento e analisar se as principais decisões/opções que você já fez/tomou na vida, não eram apenas, um pedido por amor (para sentir-se valorizado...)
Aliás, será que o presidente laranjão, em toda sua loucura agressiva e bélica mundial, não está apenas pedindo para ser amado?
A falta de amor, de sentir-se amado, mesmo que minimamente, pode levar o ser humano a grandes loucuras, na tentativa de preencher esse vazio. Vazio que nunca poderá ser preenchido completamente. Ao menos não pelo outro.
Para a Psicologia do Desenvolvimento, possivelmente isso estaria localizado na infância, ou seja, uma criança não amada, não vista, uma carência de afetos que vem desde a infância e segue ressoando ao longo do desenvolvimento da pessoa. Será que a infância daquele presidente foi tão pobre assim, emocionalmente? Ele foi tão pouco valorizado, que agora busca a "valorização imaginária" através da guerra e das ameaças?
Por fim, já que a crônica é minha, quero deixar registrado que, afinal, meu desejo com a Psicologia foi atendido. Sempre percebi a Psicologia muito voltada para a mente. E eu busquei a graduação em Psicologia, atrás do entendimento da condição emocional humana. Curiosamente, todos os clientes e pacientes que procuram a psicoterapia/análise, a buscam movidos por algum sofrimento psíquico, querendo superar aquela angústia existencial. E quando Lacan, em sua profundeza científica, aponta para a “demanda de ser amado” como o desejo mais profundo que move todo e qualquer ser humano, vejo, que na verdade, os grandes mestres, também já estavam preocupados com a condição psíquica-emocional das pessoas.
Entretanto, ser amado pelo outro/ser valorizado pelo outro, ainda é bem diferente de uma autovalorização genuína. Autovalorização que não tem nada a ver com nascisismo e individualismo, pelo contrário, só quem se valoriza, se ama, tem autoestima, consegue ser humilde o suficiente para assumir as próprias carências, e parará imediatamente de usar os outros para tentar preencher essa falta.
Tercio Inacio
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