DINHEIRO X VALOR PESSOAL

DINHEIRO X VALOR PESSOAL


Já escrevi uma crônica fazendo um percurso entre a libido sexual freudiana e a libido monetária, contemporânea, tentando provocar uma reflexão sobre essa, possível, mudança libidinal humana, ou seja, não é mais a força/energia/pulsão/desejo sexual que movimenta a pessoa - com certeza não é mais a única que se destaca - mas, transparece hodiernamente, que nos tempos modernos, esse desejo humano, pode ter se deslocado (ou, quem sabe, encontrado uma segunda fonte) para o dinheiro. Enfim, a crônica está no meu livro/ebook 40wkRle1wogU.pdf

Entretanto, nesse momento, minha intenção é outra, qual seja, de fazer um novo/outro percurso entre a questão do “valor”: valorização pessoal, valorização externa, autovalorização, valorização dos outros, dinheiro, valor de compra-venda, interesse de compra, DESVALORIZAÇÃO, etc; o que gera esses juízos de valor, como se inscreve no psiquismo, de que maneiras são agravados e/ou podem ser superados. Confesso que aqui, lembrei do Kant e sua Crítica do Juízo.

Mas, vamos retomar o percurso mais psicológico da questão e encaminhar-nos para a seguinte hipótese: a autodesvalorização seria proporcional a valorização que cada um atribui ao dinheiro?

Com isso não quero incentivar o isolamento em cavernas. Nem mesmo quero pregar um desapego total do dinheiro, este que é necessário. Quero apenas que, cada um pense sobre o valor que o dinheiro tem na tua vida. Esse valor é real ou é simbólico e/ou imaginário? Mas, muito mais importante do que isso, é: como/quanto eu me valorizo e/ou desvalorizo enquanto pessoa?

De quanto dinheiro eu precisaria para me sentir bem? 

Me sentir importante tem a ver com a quantidade de dinheiro que tenho, ou pretendo ter?

Os pobres nunca se sentirão bem?

Os ricos sempre se sentem bem? Conseguem se satisfazer com o que tem?

O capitalismo pós-moderno, investe tudo na crença/ilusão do ser humano que têm conforto e é feliz e os demais que podem ter isso, basta “se vender” para isso e por isso. Ou seja, o capitalismo não trabalha mais com a ideia do ser humano útil - e/ou inútil - da era industrial e moderna.

Mas, ele continua enxergando apenas um tipo de ser humano, ou melhor, aquele “com valor” quatificável, os demais - os “sem valor” - não o interessa muito.

Convém lembrar que o capitalismo é uma construção humana. Ele não é um ente autônomo. Ou, é possível processar judicialmente o capitalismo? Aliás, o capitalismo também não irá para o tal do inferno.

Agora me ocorreu a ideia de que a ida para o céu ou para o inferno, poderia ser avaliada, simples e exclusivamente, pela capacidade de cada um valorizar e respeitar o próximo, pela humanidade ele é . Entretanto, como formando em Psicologia, posso garantir que ninguém consegue valorizar e respeitar o outro se não se organizar psiquicamente, primeiro. Veja que nada disso depende de deuses, muito menos do deus dinheiro.

Então, primeiro eu preciso me estruturar, organizar, autovalorizar, aceitar e sentir que tenho um valor pessoal, como consequência, também entenderei que os outros têm seu valor pessoal, este, que não é comparável aos bens materiais, a quantidade de dinheiro e/ou até mesmo, aos títulos que se conquistou. Inclusive, para um "desorganizado" psiquicamente, não haverá soma de dinheiro suficiente (nem fama, nem poder...). Dica: pode sair muito mais barato - usando termos do capitalismo - se estruturar primeiro. 

Pensar isso é fácil, mas viver isso, num mundo capitalista, não é nada fácil.



Tercio Inacio

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