crônica - EMPODERAMENTO DO EGO X EMPODERAMENTO PSÍQUICO/EMOCIONAL
EMPODERAMENTO DO EGO X EMPODERAMENTO PSÍQUICO/EMOCIONAL
Certamente, você já ouviu falar do tal do empoderamento, conceito bastante utilizado ultimamente e para inúmeras ocasiões. Só espero que o Trump não esteja nessa “vibe”, de estar se empoderando.
Aliás, aqui já transparece o primeiro equívoco, qual seja, achar que o empoderamento se dá de fora para dentro, ou seja, isso é simples e puramente empoderamento do EGO, ou em outros termos, é inflar o imaginário e fantasioso pessoal, tipo um balão de balonismo, apenas cheio de ar quente, e que é carregado pelo vento, na direção que a corrente de ar determinar. E se não me engano, o melhor passeio de balão é onde o vento/ar estiver em menos movimento, o que também já é um determinante externo para o balonismo.
Comparando, poderia-se dizer que primeiro inflamos o nosso balão/EGO com itens externos a nós, como: dinheiro, bens materiais, títulos acadêmicos, fama, likes/curtidas, sucesso, corpos atraentes, posições sociais de poder, empregos/trabalhos/cargos de destaque, religião, deuses, até mesmo casamentos e/ou filhos podem ser apenas um “ar quente” para inflar o EGO pessoal.
Assim fazendo, saiba que sua vida será levada conforme a direção do vento, ou melhor, a direção externa determinar.
Empoderar o EGO é um perigo. Veja quantos EGOs inflados (inflamados) o Hitler dirigiu. Aqui, é claro que eu poderia mencionar ideologias políticas bem recentes, mas, melhor evitar uma outra direção dos ventos.
Empoderamento, na maioria dos usos atuais, restringe-se a empoderar apenas, o imaginário e a ilusão pessoal, o que na Psicologia é tratado como “eu ideal”. Entretanto, o contraponto a isso, é o “eu real”, esse que precisar ser e viver no aqui e agora, ou como diria o Heiddeger: “ter que ser”, ou, "ser-no-mundo" (Dasei), onde o homem é lançado e deve projetar-se em suas próprias possibilidades existenciais, encarando a finitude e a morte como as possibilidades mais próprias da sua existência. O ser-aí, ou Dasein, é o ente que compreende e questiona o ser, e a sua existência é marcada pela facticidade (ser lançado ao mundo), a existencialidade (a projeção em possibilidades) e a finitude (o ser-para-a-morte.
Nesse sentido, não é mais o vento que nos direciona, pois nosso EGO não é mais um balão inflado por itens externos a nós, mas é a nossa condição interna, a psíquica-emocional que passa a ser empoderada. Em outros termos poderia se dizer que o “eu ideal” não está mais sozinho no trono, mas, precisou dividi-lo com o “eu real”. Inclusive, conciliar essa divisão do trono é a melhor possibilidade de um reinado humano. Se só o “eu real” ocupar o trono, a tirania também retornará.
Então, dito isso, o empoderamento psíquico-emocional, refere-se a esse “conciliar o ideal e o real que sou”.
O empoderamento psíquico-emocional é um processo de autoconhecimento, autocuidado, autoestima… enfim, é um fortalecimento interior, que permite ao indivíduo reconhecer, compreender e gerir as próprias emoções, assumindo um papel ativo na construção do próprio bem-estar psíquico. Desenvolver este empoderamento implica ter mais confiança em si, desenvolver a resiliência, a autonomia e a capacidade de enfrentar desafios, ou seja, é empoderar-se de dentro para fora e não mais de fora para dentro, o que na verdade, é empoderar o outro/o de fora.
Repito: o empoderamento se dá de dentro para fora.
Tercio Inacio
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