crônica - AOS 48 MINUTOS DO PRIMEIRO TEMPO
AOS 48 MINUTOS DO PRIMEIRO TEMPO
Aos 48 minutos do primeiro tempo, descobri o jogo existencial que me envolve. O jogo pelo qual vesti a camiseta. O jogo da vida emocional.
Infelizmente, o primeiro tempo “do meu jogo” está terminando e eu estou perdendo por 2 x 0, pois estou solteiro e sem filhos, considerando as partidas já jogadas pelos meus antepassados.
Na verdade, esse jogo já foi jogado pelos meus antepassados e: como eu poderia aprender a jogar outro tipo de jogo? Se eu nasci e cresci no “campo”, no meio daquelas regras específicas, vivenciando com jogadores daquela modalidade, o assunto sempre foi sobre aquela modalidade de jogo… como então, não ser moldado pela mesma “forma”? Aliás, parece que a nossa “forma” familiar é de jogadores fortes e lentos, normalmente, colocados na posição de zagueiro, requerendo muita defesa e pouco ataque. Raramente o zagueiro faz um gol, no máximo ele pode começar uma jogada que leva ao gol, mas, o zagueiro é fundamental para o time não sofrer um gol do adversário.
Penso que, nesse momento existencial, de tomada de consciência, estou saindo para o intervalo, afinal, durante o jogo, é praticamente impossível pensar em outra coisa, pois em campo, somos consumidos por aquilo, sem tempo para pensar, inclusive. É tudo muito instintivo, muito automático. Então, momento de respirar, de descansar e tentar ver em que posso/podemos melhorar.
Apesar de ir para o intervalo, perdendo esse jogo de vida ancestral, fiz uma boas jogadas individuais (conquistei vários títulos acadêmicos, estou servidor público federal, adquiri vários bens imóveis …). Mas, também cometi algumas faltas e sofri outras (destaco 5 relacionamentos emocionais, o segundo destes, foi com a Igreja, pois estudei no seminário). Então, o primeiro tempo foi esse. Mas, felizmente, consegui perceber a fraqueza do jogo, que me levou ao 2 x 0 , ou seja, estar solteiro e não ter filhos está diretamente ligado “às faltas” (Lacan?), ocorridas durante o primeiro tempo.
Será que meus pais (inconsciente?) são os juízes desse meu jogo existencial? Ou seriam eles, a equipe técnica do meu time. Na verdade, na verdade, pensando um pouco mais, eles são o meu time e assim, seguimos jogando o nosso jogo de vida ancestral, ou seja, buscar mais vitórias na vida emocional.
Que venha o “segundo tempo”. Com esse intervalo abençoado, acredito que conseguiremos fazer um segundo tempo emocionante. Virando ou não, estaremos melhor psiquicamente. Vou dar o melhor de mim e tentar ajudar o máximo possível a minha equipe.
Inclusive, ganhar ou perder já nem importa mais tanto. No segundo tempo focaremos em nos superar. Jogar com calma, entrosamento, consciência e emoção.
Tercio Inacio
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