crônica - Emoções, sentir, sentimentos, afetos…
Emoções, sentir, sentimentos, afetos…
E se o segredo da existência humana for, “apenas”, desenvolver a capacidade de sentir/ter emoções?
Por muito tempo, sacramentou-se que era o pensar - penso, logo existo - era o segredo. Entretanto, “pensando assim”, estamos no momento com o “c… na mão” pelo medo das bombas atômicas (grandes conquistas do pensar humano) serem usadas nas guerras (grande fracasso do humano, ainda infante no sentir, mas com poder de adulto), criadas pelos homens racionais. Aliás, será que as religiões - que são humanas - também não foram criadas racionalmente?
Não há dúvidas de que a humanidade progrediu técnicamente, graças ao uso da razão. Mas isso pode ser perigoso. E as guerras são um exemplo disso. Já peço desculpas, de imediato, aos macacos racionais que vão se ofender - e aos macacos também - mas, a guerra é fruto de macacos, com armas, em busca de mais poder. Aliás, na verdade, subjaz a isso tudo, um instinto de autopreservação, normal entre todos os animais. Então, até poderia ser admissível, se defender em casa/no próprio país, entretanto, atacar os outros na casa deles, é coisa apenas, de animais racionais.
Infelizmente, se não evoluirmos emocionalmente, ou melhor, como animais racionais e emocionais, a tendência será continuarmos em risco, apesar dos avanços científicos e técnicos. Aliás, essa função científica e técnica a própria Inteligência Artificial passará a desempenhar muito melhor do que os humanos. Felizmente, como a IA não tem a composição animal/instintiva, ela nunca conseguirá ser sentimental, também. Claro que os humanos podem programar instintos e sentimentos nas máquinas, mas elas nunca serão independentes, nesse sentido. A máquina nunca será autônoma com um humano, ou seja, um “animal-racional-emocional”, ela apenas será “racional”, inclusive, racionalmente ela já é superior ao humano.
Mas, estou divagando para além do “sentir”.
Queria apenas, sinalizar para a nossa condição emocional, que requer desenvolvimento subjetivo/singular. Ou seja, cada um, dos quase 9 bilhões de humanos, precisa se desenvolver emocionalmente, também. O instinto já está garantido em todos, o racional também tem um bom suporte social e governamental, através das Escolas e Universidades. Mas e o emocional? Como fica? Continuará acontecendo ao acaso? Apenas a cargo da família? Famílias tão desorganizadas emocionalmente, em geral, quanto as próprias crianças.
Como alfabetizar o humano, também emocionalmente?
Lamentavelmente, a própria Psicologia se direcionou ao mental-racional, mesmo que, muitas vezes, esteja falando de instintos, ou até mesmo, em raras ocasiões, de sentimentos.
Por fim, enfatizo que a provocação que me levou a esse escrito, foi: será que a ansiedade não é fuga do sentir? E se a depressão for um excesso, desorganizado, de sentimentos? será que o suicida não quer, apenas, parar de sentir? E quando se matar, ou matar o outro, é mais fácil do que se separar do cônjuge, será que não é, também, uma questão do sentir?
E se o começo das guerras, for apenas um sentimento de inferioridade, de baixa autoestima?
Tercio Inacio
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