crônica - metodologia de atendimento: 4 x 9
Análise e/ou Psicoterapia: uma prestação de serviço
Na Psicologia é muito comum ver que, começar uma análise já é difícil, mantê-la seguirá sendo desafiador, mas, encerrar uma análise, também anda demonstrando-se complicado e geralmente, não só por parte do paciente/cliente, ou seja, o atendimento psicológico é bastante vago - e até mesmo obscuro - em relação ao término.
Curiosamente, mesmo não havendo uma promessa de cura, também não há uma estipulação de encerramento da análise e/ou da psicoterapia. Evidente que qualquer “queixa”, requer um processo de conhecimento, o que, por sua vez, além do acompanhamento de um profissional, requer um tempo para ser elaborado subjetivamente.
Mas, afinal, de quanto tempo estamos falando? E esse tempo, subjetivo, é o do cliente/paciente, ou é o tempo do psicoterapeuta?
Em relação ao tempo subjetivo do psicoterapeuta/do analista, ainda não me atrevo a entrar, pois isso implicaria em questionar teorizações do próprio fundador da análise, assim como, de muitos outros/as grandes teórico. Ousaria apenas perguntar: em alguns casos de atendimento, que ultrapassam 4 anos de análise/psicoterapia, será que é o paciente que precisa, ou será que é o terapeuta que se apegou...?
Mas, posso falar como paciente/cliente que já fui/sou. Ou, em temos jurídicos, também posso falar como consumidor desse serviço que já foi/sou, e pelo qual é preciso pagar. Tenho certeza que aqui, todos os profissionais da Psicologia/Psicanálise, já me condenaram a sérios problemas psicológicos por estar "preocupado..." com o dinheiro e no preço das sessões. De fato sou "mão fechada", logo, tenho questões psiquicas envolvidas nisso. Entretanto, um profissional, que presta um serviço, mas que não consegue estipular um valor - ou não quer - para o seu tempo de atendimento, também não está sendo muito transparente.
Sei muito bem, que depois de um ano, quase tudo no mundo real, passa por um reajuste monetário, então, também fica fácil de entender, que depois de um ano de acompanhamento psicológico, seja cogitado um reajuste no valor da sessão de análise ou de psicoterapia. Inclusive, acho justo.
Entretanto, uma questão que nem Freud percebeu, foi a de que no momento em que se cogita um reajuste, sai-se por um instante, da relação de analista e paciente e entra-se numa relação de consumidor e fornecedor de um serviço, de forma que, nesse instante especifico - que sempre é criado pelo fornecedor do serviço - o consumidor tem o direito de optar em continuar, por um novo valor monetário, ou, de encerrar aquele contrato.
Assim sendo, caros e caras profissionais da Psicologia, me parece que há um momento objetivo, que vocês mesmos criam, para encerrar-se uma análise ou psicoterapia. Sem qualquer possibilidade para avocar subterfúgios teóricos e até mesmo elucubrações científicas sobre a questão, a fim de convencer o paciente, ou melhor, o consumidor a continuar consumindo um produto que mudará de condições, ao menos, em uma condição. Assim sendo, é preciso deixar claro: não só o novo valor da sessão, mas também, a possibilidade de poder não querer refazer o contrato precisa ficar/estar claro.
Isso posto, estou pensando seriamente, na seguinte metodologia de atendimento: 4 x 9, ou seja, faria quadro módulos de 9 sessões. Ao final de cada módulo, tanto o paciente quanto o profissional, poderão optar em continuar ou em encerrar o atendimento. Enquanto profissional, também me reservarei no direito de encerrar a prestação de serviço se perceber, por exemplo, que o paciente não está sendo, suficientemente, honesto nos atendimentos. Além disso, após cada módulo, o valor da sessão aumentará, o que já será informado no primeiro dia de atendimento.
Então, funcionaria assim, por exemplo: o valor de referência para o primeiro módulo será de 100 reais a sessão. No segundo módulo, se ambos decidirem em continuar, o valor de referência passará para 150 reais. No terceiro módulo, quando ambos decidirem em continuar, o valor de referência passará para 200 reais. E no quarto e último módulo, se ambos decidirem em continuar, o valor de referência passará para 250 reais. Depois das 36 sessões, o desligamento será imperioso. Evidente que, quando necessário, o paciente será orientado a procurar outro profissional, ou até mesmo, outra abordagem psicológica.
Claro que o encerramento da análise ou da psicoterapia sempre será possível, considerando a melhora psíquico-afetiva do paciente/cliente, aliá, é a melhor forma de se encerrar esta prestação de serviço/este contrato.
PS: Esses esclarecimentos, assim como o sobre a linha Psicológica adotada, constarão numa "declaração de ciência" que o paciente assinará (ou não) na primeira sessão.
T I Webler Jung
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