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crônica - Parte 2: AUTOESTIMA

  Parte 2: AUTOESTIMA Me ocorreu uma analogia possível, para tentar definir melhor o conteúdo/a estrutura da autoestima, qual seja, que construir a autoestima é semelhante a construir uma casa. Apenas semelhante, afinal, a construção da autoestima é permanente e pulsa a vida inteira, além disso, ela não pode ser construída por outros, como uma casa, mas, precisa ser erigida por cada um. Quando alguém vai construir uma casa, o recomendado é que se comece a edificação pela fundação/pelo alicerce, sobre o qual todo prédio será erguido. Evidente que esse alicerce dependerá da questão geológica do solo e do tamanho do prédio que se quer construir. Me parece ser viável, nesta analogia, dizer que o solo pode ser comparável a família (ou o primeiro grupo vivencial), na qual cada pessoa precisa começar a sua existência, a ser de alguma forma. Então, uma vez conhecendo o solo e sabendo o tamanho do prédio, mãos a obra da fundação. Porém, em relação a construção da autoestima, o pro...

crônica BEBER ÁGUA E SUBJETIVIDADE

  BEBER ÁGUA E SUBJETIVIDADE Perante a repetitiva confusão sobre o objeto de estudos da Psicologia - a subjetividade - quero começar com a seguinte pergunta, aos confusos: ALGUÉM PODE BEBER ÁGUA POR VOCÊ? E já aproveito para emendar uma outra provocação, qual seja, será que só “pensar” em beber água vai saciar a sede de alguém? Mas, a intenção com a pergunta inicial é, simplesmente, apontar para a subjetividade de cada qual, esta que é única e exclusiva de cada pessoa e sobre a qual a Psicologia se debruça (ou deveria se debruçar) enquanto ciência. Então, assim como ninguém pode beber água por você, também ninguém pode “sentir” por você, ou melhor, cada pessoa precisa fazer as próprias experiências emocionais, estas que são a condição fundante da organização (desorganização?) psíquica de cada indivíduo, inevitavelmente. Aliás, convém ressaltar, que a partir dessas experiências afetivas - sobretudo as decorrentes de relações com outras pessoas - cada sujeito se organi...

crônica - Parte 1: AUTOESTIMA

  Parte 1: AUTOESTIMA Parto da hipótese de que cada pessoa, ao nascer, nasce vazia de autoestima, logo, construir a autoestima é construir-se como pessoa. Chego a comparar a autoestima com a alma afetiva, que é responsabilidade de cada e toda pessoa. Alma afetiva que requer desenvolvimento, caso contrário o vazio se tornará um “buraco” afetivo. Mas, e o que é a autoestima? E o que é a falta dela? Como desenvolvê-la? Autoestima é estar bem consigo mesmo, é a avaliação subjetiva que uma pessoa faz sobre si mesma, ou seja, é a percepção que uma pessoa tem sobre sua própria personalidade, competência, valor, capacidade e adequação para viver a vida de cada dia, a vida real. Uma pessoa com autoestima tende a se sentir confiante, livre emocionalmente e capaz de lidar com as dificuldades e sofrimentos que surgem na vida hodierna, enquanto uma pessoa com baixa autoestima pode se sentir insegura, desvalorizada e incapaz de enfrentar desafios, desenvolvendo geralmente, uma dependên...

crônica: Encerrando uma análise e/ou da psicoterapia

  Encerrando uma análise e/ou da psicoterapia Começar uma análise já é difícil, mantê-la seguirá sendo desafiador, mas, encerrar uma análise também   anda demonstrando-se complicado e geralmente, não só por parte do paciente/cliente. Curiosamente, mesmo não havendo uma promessa de cura, também não há uma estipulação de encerramento da análise e/ou da psicoterapia. Evidente que qualquer “queixa”, requer um processo de conhecimento, o que, por sua vez, além do acompanhamento de um profissional, requer um tempo para ser construído intersubjetivamente e para ser elaborado subjetivamente. Mas, afinal, de quanto tempo estamos falando? E estamos falando do tempo subjetivo do cliente ou do psicoterapeuta? Em relação ao tempo subjetivo do psicoterapeuta/do analista, ainda não me atrevo a entrar, pois isso implicaria em questionar teorizações do próprio fundador da análise, assim como, de muitos outros/as grandes teórico. Ousaria apenas perguntar, se em alguns casos, que ultra...

crônica Necessidade + necessário + desnecessário = organização psíquica, padrão

  Necessidade + necessário + desnecessário = organização psíquica, padrão De imediato antecipo que a hipótese a seguir, pode ser forte para a maioria das pessoas. Mas, penso ser possível. Então vamos a mais uma dura realidade: Certamente, ninguém duvidará de que, ao sermos concebidos, somos completamente dependentes de um outro corpo, ou seja, cada um de nós já foi um parasita (e um ser aquático, também), e que, enquanto parasitas, dependíamos completamente do corpo que nos “hospedava” e que satisfazia as nossas necessidades primárias. Ao sermos expulsos daquele corpo hospedeiro continuamos completamente dependentes, ainda por um bom tempo. Deixamos de ser parasitas “master” e passamos a ser parasitas em um outro grau. Felizmente, progressivamente, deixamos de ser parasitas primitivos – ao menos organicamente, pois afetivamente a questão é bem diferente – mas, continuamos dependendo de outros para satisfazer as nossas necessidades básicas. Necessidades que também...

crônica - Do vazio de autoestima a autonomia afetiva = PsicologiAfetiva

   Do vazio de autoestima a autonomia afetiva = PsicologiAfetiva Penso ser bem fácil de entender que cada um de nós, quando chega ao mundo - ainda na vida intrauterina, inclusive - chega vazio de autoestima, afinal, não éramos ainda (se bem que, segundo a Psicologia, já éramos no desejo e na linguagem dos pais antes da nossa concepção). Apesar de evidente, convém esclarecer também, que a autoestima se refere a estima que cada um tem por si mesmo (ao procurar pela etimologia da palavra autoestima, encontra-se uma mistura entre o grego e o latim, ou melhor, do grego utilizou-se o termo autós , que significa “a si mesmo” e do latim aestimare , que significa “valorizar, apreciar”). Assim, fica mais uma vez simples de entender que cada um nasce sem autoestima, afinal, como seria possível valorizar e/ou apreciar a si mesmo se ainda não havia um si mesmo? Havia, como já dito anteriormente, apenas um objeto de desejo de outros, ou ainda, havia um bebê que tinha valor/apreço (...

artigo - ”QUARTA TÓPICA”: unterMich + beiMich + überMich

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  ” QUARTA TÓPICA”: unterMich + beiMich + überMich Freud é o grande responsável por recompor e reconstruir a visão unilateral do humano, desenvolvendo duas teorias do aparelho mental: na primeira tópica, como já apresentado brevemente, ela foi dividido em três partes (consciente, pré-consciente, inconsciente), mas Freud compreendeu, rapidamente, os limites dessa concepção. Na segunda tópica (1923) ele constrói uma segunda "topografia". Menos focado na mente e mais preocupado em compreender um aparelho psíquico ampliado, ele acaba concebendo uma outra/nova estrutura (o id, ego e superego) da subjetividade humana. A isto já propus uma possível “terceira tópica”, que considera o humano a partir da condição instintiva, afetiva e racional. Agora, venho propor uma possível “quarta tópica”, qual seja: unterMich + beiMich + überMich (embaixo de mim, comigo, sobre mim) Quem já leu Freud, inevitavelmente, perceberá que estou “ousando” sugerir uma continuidade no percurso...