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crônica: Encerrando uma análise e/ou da psicoterapia

  Encerrando uma análise e/ou da psicoterapia Começar uma análise já é difícil, mantê-la seguirá sendo desafiador, mas, encerrar uma análise também   anda demonstrando-se complicado e geralmente, não só por parte do paciente/cliente. Curiosamente, mesmo não havendo uma promessa de cura, também não há uma estipulação de encerramento da análise e/ou da psicoterapia. Evidente que qualquer “queixa”, requer um processo de conhecimento, o que, por sua vez, além do acompanhamento de um profissional, requer um tempo para ser construído intersubjetivamente e para ser elaborado subjetivamente. Mas, afinal, de quanto tempo estamos falando? E estamos falando do tempo subjetivo do cliente ou do psicoterapeuta? Em relação ao tempo subjetivo do psicoterapeuta/do analista, ainda não me atrevo a entrar, pois isso implicaria em questionar teorizações do próprio fundador da análise, assim como, de muitos outros/as grandes teórico. Ousaria apenas perguntar, se em alguns casos, que ultra...

crônica Necessidade + necessário + desnecessário = organização psíquica, padrão

  Necessidade + necessário + desnecessário = organização psíquica, padrão De imediato antecipo que a hipótese a seguir, pode ser forte para a maioria das pessoas. Mas, penso ser possível. Então vamos a mais uma dura realidade: Certamente, ninguém duvidará de que, ao sermos concebidos, somos completamente dependentes de um outro corpo, ou seja, cada um de nós já foi um parasita (e um ser aquático, também), e que, enquanto parasitas, dependíamos completamente do corpo que nos “hospedava” e que satisfazia as nossas necessidades primárias. Ao sermos expulsos daquele corpo hospedeiro continuamos completamente dependentes, ainda por um bom tempo. Deixamos de ser parasitas “master” e passamos a ser parasitas em um outro grau. Felizmente, progressivamente, deixamos de ser parasitas primitivos – ao menos organicamente, pois afetivamente a questão é bem diferente – mas, continuamos dependendo de outros para satisfazer as nossas necessidades básicas. Necessidades que também...

crônica - Do vazio de autoestima a autonomia afetiva = PsicologiAfetiva

   Do vazio de autoestima a autonomia afetiva = PsicologiAfetiva Penso ser bem fácil de entender que cada um de nós, quando chega ao mundo - ainda na vida intrauterina, inclusive - chega vazio de autoestima, afinal, não éramos ainda (se bem que, segundo a Psicologia, já éramos no desejo e na linguagem dos pais antes da nossa concepção). Apesar de evidente, convém esclarecer também, que a autoestima se refere a estima que cada um tem por si mesmo (ao procurar pela etimologia da palavra autoestima, encontra-se uma mistura entre o grego e o latim, ou melhor, do grego utilizou-se o termo autós , que significa “a si mesmo” e do latim aestimare , que significa “valorizar, apreciar”). Assim, fica mais uma vez simples de entender que cada um nasce sem autoestima, afinal, como seria possível valorizar e/ou apreciar a si mesmo se ainda não havia um si mesmo? Havia, como já dito anteriormente, apenas um objeto de desejo de outros, ou ainda, havia um bebê que tinha valor/apreço (...

artigo - ”QUARTA TÓPICA”: unterMich + beiMich + überMich

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  ” QUARTA TÓPICA”: unterMich + beiMich + überMich Freud é o grande responsável por recompor e reconstruir a visão unilateral do humano, desenvolvendo duas teorias do aparelho mental: na primeira tópica, como já apresentado brevemente, ela foi dividido em três partes (consciente, pré-consciente, inconsciente), mas Freud compreendeu, rapidamente, os limites dessa concepção. Na segunda tópica (1923) ele constrói uma segunda "topografia". Menos focado na mente e mais preocupado em compreender um aparelho psíquico ampliado, ele acaba concebendo uma outra/nova estrutura (o id, ego e superego) da subjetividade humana. A isto já propus uma possível “terceira tópica”, que considera o humano a partir da condição instintiva, afetiva e racional. Agora, venho propor uma possível “quarta tópica”, qual seja: unterMich + beiMich + überMich (embaixo de mim, comigo, sobre mim) Quem já leu Freud, inevitavelmente, perceberá que estou “ousando” sugerir uma continuidade no percurso...

crônica: DIGA-ME O QUE DESEJAS E EU TE DIREI O QUE TE "FALTA"

  DIGA-ME O QUE DESEJAS E EU TE DIREI O QUE TE "FALTA" Certamente você já ouviu o ditado "diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és" (que não é bíblica, pois não está na Bíblia), frase bastante provocativa e com uma profunda e significativa validade humana. E é, exatamente, a minha intenção, fazer este "trocadilho", a fim de atrair a tua curiosidade e direcionar uma outra reflexão, um pouco menos intersubjetiva e muito mais subjetiva. Se bem que, a frase original, apesar de ela remeter às convivências sociais, ela também almeja o autoconhecimento, ou seja, conhecer e revelar a subjetividade (quem eu sou) e não há uma preocupação efetiva, com quem eu ando ou deixo de andar, de fato. Convido para caminhar comigo, além de você, o Freud e o Lacan, afinal, foram as teorias deles que me inspiraram a este modesto percurso. Para Freud, o desejo é um movimento psíquico - de energia sexual (?) - que busca reinvestir/repetir a experiência da satisf...

crônica - PRINCÍPIO DA REALIDADE = ÁGUA POTÁVEL

  PRINCÍPIO DA REALIDADE = ÁGUA POTÁVEL   Certamente, alguns de vocês já me ouviram dizer que a grande descoberta do Freud não foi a teoria sobre os sonhos, ou a revelação do inconsciente, ou o desvelamento da sexualidade infantil, ou a criação da psicanálise, mas, que para mim, a maior contribuição do Freud foi a descoberta do Princípio da Realidade. Evidente que não ouso ignorar nenhuma dessas grandes e significativas contribuições, para a humanidade, do Freud. Inclusive, o novo paradigma que Freud erigiu e nos deixou, pode ser a última “fonte de vida” - apresentada cientificamente à humanidade - capaz de nutrir, ao mesmo tempo, a existência subjetiva de cada qual e a existência intersubjetiva de todos nós. Mas, e o princípio da realidade como parte primordial desta fonte de vida? Aliás, informo que é intencional, da minha parte, utilizar o conceito “fonte de vida” a fim de remetê-los ao conceito “fonte de água potável” para seguir a divagação. É bem provável que t...