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crônica - Do vazio de autoestima a autonomia afetiva = PsicologiAfetiva

   Do vazio de autoestima a autonomia afetiva = PsicologiAfetiva Penso ser bem fácil de entender que cada um de nós, quando chega ao mundo - ainda na vida intrauterina, inclusive - chega vazio de autoestima, afinal, não éramos ainda (se bem que, segundo a Psicologia, já éramos no desejo e na linguagem dos pais antes da nossa concepção). Apesar de evidente, convém esclarecer também, que a autoestima se refere a estima que cada um tem por si mesmo (ao procurar pela etimologia da palavra autoestima, encontra-se uma mistura entre o grego e o latim, ou melhor, do grego utilizou-se o termo autós , que significa “a si mesmo” e do latim aestimare , que significa “valorizar, apreciar”). Assim, fica mais uma vez simples de entender que cada um nasce sem autoestima, afinal, como seria possível valorizar e/ou apreciar a si mesmo se ainda não havia um si mesmo? Havia, como já dito anteriormente, apenas um objeto de desejo de outros, ou ainda, havia um bebê que tinha valor/apreço (...

artigo - ”QUARTA TÓPICA”: unterMich + beiMich + überMich

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  ” QUARTA TÓPICA”: unterMich + beiMich + überMich Freud é o grande responsável por recompor e reconstruir a visão unilateral do humano, desenvolvendo duas teorias do aparelho mental: na primeira tópica, como já apresentado brevemente, ela foi dividido em três partes (consciente, pré-consciente, inconsciente), mas Freud compreendeu, rapidamente, os limites dessa concepção. Na segunda tópica (1923) ele constrói uma segunda "topografia". Menos focado na mente e mais preocupado em compreender um aparelho psíquico ampliado, ele acaba concebendo uma outra/nova estrutura (o id, ego e superego) da subjetividade humana. A isto já propus uma possível “terceira tópica”, que considera o humano a partir da condição instintiva, afetiva e racional. Agora, venho propor uma possível “quarta tópica”, qual seja: unterMich + beiMich + überMich (embaixo de mim, comigo, sobre mim) Quem já leu Freud, inevitavelmente, perceberá que estou “ousando” sugerir uma continuidade no percurso...

crônica: DIGA-ME O QUE DESEJAS E EU TE DIREI O QUE TE "FALTA"

  DIGA-ME O QUE DESEJAS E EU TE DIREI O QUE TE "FALTA" Certamente você já ouviu o ditado "diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és" (que não é bíblica, pois não está na Bíblia), frase bastante provocativa e com uma profunda e significativa validade humana. E é, exatamente, a minha intenção, fazer este "trocadilho", a fim de atrair a tua curiosidade e direcionar uma outra reflexão, um pouco menos intersubjetiva e muito mais subjetiva. Se bem que, a frase original, apesar de ela remeter às convivências sociais, ela também almeja o autoconhecimento, ou seja, conhecer e revelar a subjetividade (quem eu sou) e não há uma preocupação efetiva, com quem eu ando ou deixo de andar, de fato. Convido para caminhar comigo, além de você, o Freud e o Lacan, afinal, foram as teorias deles que me inspiraram a este modesto percurso. Para Freud, o desejo é um movimento psíquico - de energia sexual (?) - que busca reinvestir/repetir a experiência da satisf...

crônica - PRINCÍPIO DA REALIDADE = ÁGUA POTÁVEL

  PRINCÍPIO DA REALIDADE = ÁGUA POTÁVEL   Certamente, alguns de vocês já me ouviram dizer que a grande descoberta do Freud não foi a teoria sobre os sonhos, ou a revelação do inconsciente, ou o desvelamento da sexualidade infantil, ou a criação da psicanálise, mas, que para mim, a maior contribuição do Freud foi a descoberta do Princípio da Realidade. Evidente que não ouso ignorar nenhuma dessas grandes e significativas contribuições, para a humanidade, do Freud. Inclusive, o novo paradigma que Freud erigiu e nos deixou, pode ser a última “fonte de vida” - apresentada cientificamente à humanidade - capaz de nutrir, ao mesmo tempo, a existência subjetiva de cada qual e a existência intersubjetiva de todos nós. Mas, e o princípio da realidade como parte primordial desta fonte de vida? Aliás, informo que é intencional, da minha parte, utilizar o conceito “fonte de vida” a fim de remetê-los ao conceito “fonte de água potável” para seguir a divagação. É bem provável que t...

Crônica - “Anna O.” e a limpeza da chaminé (do meu fogão a lenha do sítio)

  “ Anna O.” e a limpeza da chaminé (do meu fogão a lenha do sítio) Anna O., para quem não conhece, foi a paciente de Freud (há controvérsias), que muitíssimo contribuiu, na condição de paciente, para a criação do método psicanalítico, especialmente, no que se refere a “cura pela fala”, o que Anna O. também nomeava como “limpeza da chaminé”. Numa sessão, com o então Doutor Freud, ela teria pedido para que ele ficasse quieto e só ouvisse, a fim de que ela pudesse falar e assim, colocar as coisas/questões para fora “e ir limpando a sua chaminé”. Claro que, tão importante quanto falar foi lembrar, buscar nas memórias “afetivas” as possíveis explicações para o sofrimento psíquico que estava sentindo. Isso posto/apresentado, puxo a minha experiência de limpeza da chaminé - literalmente falando - a fim de fomentar uma analogia possível. No sítio, tem um fogão a lenha (marca Walter. Curiosamente, Walter é o nome do meu antepassado paterno, que embarcou na Alemanha em direção ao...