Postagens

crônica - PSICANÁLISE E CHEIRO DE PORCO: uma analogia incomum

  PSICANÁLISE E CHEIRO DE PORCO: uma analogia incomum Recentemente, viajando de “van escolar”, em direção a mais uma aula de Psicologia, fui inspirado a essa analogia, nada comum. Eu estava sentado no banco dianteiro, ao lado do motorista, relendo o texto para a aula que me aguardava, quando, de repente, comecei a sentir (prefiro o termo “sensetir”, já que se refere ao uso dos sentidos, no caso do olfato, e não de sentimentos) o cheiro, nada agradável, de porcos. Ou sendo mais claro, do cheiro do esterco de porcos. Como já temos alguns anos de experiência na vida, tanto o motorista quanto eu, logo deduzimos que tinha um caminhão à frente, mesmo sem vê-lo ainda, levando porcos para o seu triste fim. Imediatamente, o motorista mudou a programação do ar-condicionado para, apenas, circulação interior do ar, a fim de evitar que o cheiro continuasse entrando na van. Não tardou para que eu sugerisse que a situação do motorista do caminhão fosse bem mais desconfortável, afinal, el...

crônica - PSICOLOGIA, PSICANÁLISE E/OU PSIQUIATRIA: um emaranhado ético

  PSICOLOGIA, PSICANÁLISE E/OU PSIQUIATRIA: um emaranhado ético Quem não é da área da Psicologia dificilmente consegue entender a distinção entre a Psicologia, Psicanálise e a Psiquiatria. Na verdade, quem é da área também tem, mais em aceitar do que em entender, me parece. Vou tentar alguns esclarecimentos e questionamentos, apesar dos acordos subliminares em voga entre as três madames supracitadas. Nas ciências e na academia, temos as áreas especializadas conforme o objeto de estudos abordado, como, por exemplo, as áreas de ciências exatas, biológicas e humanas. Enquanto as ciências exatas utilizam a Matemática e a Lógica para resolver problemas, as humanas estudam a sociedade, o ser humano e os fenômenos sociais. Já as biológicas, estudam os seres vivos e sua origem, evolução, formação estrutural... As Ciências Humanas englobam as profissões e disciplinas que estudam o ser humano enquanto indivíduo que precisa viver em sociedade. Tradicionalmente, estão subordi...

crônica: IDADE INSTINTIVA + IDADE AFETIVA + IDADE RACIONAL = VOCÊ

  IDADE INSTINTIVA + IDADE AFETIVA + IDADE RACIONAL = VOCÊ Apesar de nos considerarmos seres racionais/inteligentes, consideramos apenas, universalmente, a nossa idade física (pior que, ainda ignoramos os nove meses de gestação na contagem da nossa idade física). Entretanto, o corpo/o físico/o orgânico, que nos assemelha as plantas e aos demais animais, se desenvolve naturalmente, sem a necessidade de precisarmos nos preocupar com esse processo de fecundação, crescimento, envelhecimento e morte. Claro que, ainda infantis na idade afetiva, temos medo do envelhecimento e, sobretudo, da morte orgânica, levando-nos as mais variadas psicoses possíveis, no intuito de nos iludirmos sobre a inevitável morte, que nos aguarda. Tão infantis afetivamente, que gastamos – nós seres inteligentes que somos - milhões em pesquisas e em medicamentos, na intenção de adiar o envelhecimento orgânico. Evidente que agradeço, diariamente, pelos avanços já feitos nessas áreas e em outras, caso contrário...

crônica - DA BÍBLIA AO SMARTPHONE: PRINCÍPIO DO IMAGINÁRIO/AUTOILUSÃO

  DA BÍBLIA AO SMARTPHONE: PRINCÍPIO DO IMAGINÁRIO/AUTOILUSÃO Costumo dizer, já há algum tempo, que tiramos a bíblia das mãos das novas gerações e lhes colocamos, nas mãos, um smartphone. Com isso, resumo a primeira parte do título e, infelizmente, também resumo a ilusória (principio do imaginário coletivo) evolução da humanidade, ou melhor, que ocorreram inúmeros progressos técnicos e na construção de ferramentas, disso não há dúvida, mas, lamentavelmente, a humanidade não passou dessa evolução apenas instrumental e mantém resignada no primitivismo ideológico/da ilusão. Em outros termos, considerando a grande contribuição (ideológica?) de Freud, o princípio da realidade segue sendo evitado. Assim, acabo de contrapor o princípio da realidade ao princípio do imaginário,   ou ainda, contraponho o momento presente ao ilusório futuro, ou ainda, a vida monótona de cada dia ao frenesi da imaginária felicidade (aqui e agora, ou depois), ou, contraponho à bíblia e ao smartphone ...

crônica - EUREKA: a “gravidade/insegurança” nossa de cada dia

  EUREKA: a “gravidade/insegurança” nossa de cada dia   Diz a história, que Arquimedes descobriu a “gravidade específica” ao tomar banho em sua banheira, ou melhor, ao entrar na banheira ele percebeu que a quantidade da água derramada da banheira era equivalente ao peso/volume do seu corpo, que nela mergulhava. Digo isso porque, curiosamente, a minha intuição, sobre a “gravidade/insegurança nossa de cada dia”, me ocorreu antes do banho de rio, enquanto eu ainda estava sentado, de frente para o rio, e meditava sobre não sei o que. Minto, na verdade lembro, e eu não meditava, mas, refletia sobre um dano ambiental na mata ciliar desse mesmo rio, causado por vizinhos em minha propriedade.   Eu queria meditar, mas, a indignação me consumia. Até que consegui “atravessá-la” e me perguntar: POR QUE ISSO ME AFETA TANTO? Confesso que essa máxima interrogatória – e libertadora – já me ocorreu mais vezes. Quem sabe, até mais vezes que os banhos de banheira do Arquimedes. ...

crônica - “SENSETIR” X SENTIR

  “SENSETIR” X SENTIR Há muito tempo já ando insatisfeito com as confusões teóricas criadas por se usar o mesmo termo – sentir – para referir-se aos sentimentos/emoções e as sensações que temos a partir dos nossos 5 sentidos, assuntos, ao meu ver, completamente diferentes.   Enquanto os 5 sentidos nos conectam com o mundo externo (será que nossa capacidade de “falar” também não seria um sentido, assim como o ouvir, já que nos conecta com os outros?), nos possibilitando ter sensações do que está fora de nós,   os sentimentos se dão, exclusivamente, dentro de cada um, afinal, ninguém pode sentir pelo outro. Aqui preciso abrir um parêntese para dizer que o mesmo ocorre com o pensar, ou seja, ninguém pode pensar pelo outro, apesar de muitas teorias da educação ainda acharem o contrário; fecho parêntese.   Claro que as sensações – sensetir a partir dos sentidos – também são processos individuais, já que cada indivíduo tem os próprios sentidos, por meio dos quais, ...